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  • Virgílio Varela

A escolha: da desconexão para a reconexão - por Virgílio Varela


Artwork by Matthew Forsythe


A conexão dá significado e propósito às nossas vidas

Brené Brown


O hábito de viver numa sociedade desconectada, em que tudo nos é providenciado, desde a comida industrializada à roupa barata, das viagens rápidas à tecnologia rápida, leva-nos a pensar que a transição da desconexão para reconexão pode significar o fim do conforto ou de quem pensamos que somos como seres humanos. Uma sociedade desconectada, impede-nos de ver outras possibilidades e perspectivas. De ser a melhor versão que podemos ser, profundamente e originalmente nós mesmos.

Acredito que temos escolha. Mesmo quando a sociedade capitalista nos convida à desconexão, a nossa essência humana é interdependente com a natureza e a vida.

Podemos escolher desconectar do que já não serve a nossa essência e o nosso propósito evolutivo. E reconectar com essa essência humana e o planeta do qual somos parte. Para desconectar precisamos de nos preparar para entrar no desconhecido, no maravilhoso e no mistério que é reconectar com a sabedoria coletiva.

Para mim tem sido uma descoberta do poder das emoções como o medo, raiva, dor e alegria. As respostas são escassas e as perguntas abundantes.Quem sou eu quando estou com o Outro? Precisamos do Outro para essa redefinição e de uma forma de ver o mundo sem caixas ou impossíveis.

A transição da desconexão para reconexão é um processo onde é possível avançar, mas também estagnar ou regredir. É a nossa consciência e intenção claras, que, quando aliadas ao nosso compromisso e responsabilidade nos colocam em profunda relação com o Outro e com a Natureza. A responsabilidade coloca-nos em causa, em vez de estarmos em efeito.Assumimos o papel de protagonistas, Somos uma fonte para os outros, somos criadores e porta-vozes da vida e do amor.Criadores e criadoras de uma nova história

Algumas dicas para esta transição.

1. Sentir e pensar no bem maior e na saúde do sistema do qual faço parte.

2. Estar calmo e agir de forma clara. O que escuto por debaixo do ruído e do silêncio?

3. Reconhecer onde estou agora e as minhas estratégias de auto-sabotagem para manter as coisas como são.Procurando o não-julgamento.

4. Explorar o que me faz sentir vivo e alinhado com o meu propósito

5. Procurar o que me cativa e me desperta para ver a beleza e cuidar;

6. Estar profundamente presente e conectado, de forma consciente, com as suas emoções

7. Meditar, contemplar ou outra forma de prática que o permite acordar por dentro.

8. Focar na melhoria contínua, um passo de cada vez.

9. Ser agente de transformação que parte da sua essência para o potencial, a serviço da saúde de todo o sistema.Qual é a minha essência?

Qualquer mudança começa pela apreciação do lugar onde estamos e como chegámos aqui. É uma celebração das nossas conquistas e evoluções mas também a observação cuidada dos sistemas patriarcais que nos influenciam e dessensibilizam, em questões essenciais, como a nossa diversidade, o respeito pelo outro, independentemente, do género, cor, credo ou estrato social.É uma mudança, em direcção a uma cultura de apreciação, de criação de valor para todo o sistema. Com a intenção clara de nutrir, inspirar e colaborar para uma maior saúde económica, social e ecológica.

Um meme evolutivo

Esta lista é um início, uma exploração, um convite a si para a co-criação. Com o propósito maior de plantarmos um meme em mais mentes.Um meme é uma unidade de evolução cultural que pode autopropagar-se. Memes podem ser ideias, sons, desenhos, valores, algo que pode ser aprendido e transmitido como unidade autónoma.

De acordo com o autor

Richard Dawkins “Quando se planta um meme fértil na nossa mente, parasita-se literalmente o nosso cérebro, transformando-o num veículo para a propagação do meme, da mesma forma que um vírus pode parasitar o mecanismo genético de uma célula hospedeira”.

Este é um meme evolutivo que lembra-nos a dor da desconexão e o potencial infinito da conexão. A conexão e a desconexão coexistem especialmente, quando vivemos num mundo complexo, acelerado e exponencial. Estarmos conscientes que a desconexão é produto da nossa mente, aproxima-nos de uma verdade mais profunda: a de que podemos ser com todos os nossos corpos: físico, emocional, energético, intelectual, e que ver as ligações entre seres vivos e a natureza, reconecta-nos com a nossa essência, potencial e com o todo.

O que influencia as suas decisões e atitudes?São as narrativas que separam ou as que falam sobre a interconexão.

São as histórias que falam da escassez ou da abundância? O que o faz sentir profundamente vivo a serviço de um propósito maior?

Partilho este artigo na esperança que este meme desperte novas formas de ver e sentir o mundo, uma oportunidade para respirar e descobrir, por nós mesmos, que a empatia, a conexão e a compaixão sempre estiveram tecidas no DNA da nossa natureza humana.

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